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Comunidade IPEC: uma nova “antiga” moradora

ECOCENTRO-IPEC, Maio de 2014.

Eu sou uma cineasta e comecei, em 2012, a filmar um documentário sobre o Ecocentro-IPEC e seus fundadores, suas origens.

Esse link abaixo é de um video promocional que fiz em abril de 2012 para conseguir patrocínio para viajar para o Boom Festival, em Portugal, onde o Ecocentro-IPEC faz a parte de sustentabilidade do festival. E com a ajuda de familiares e amigos, através da confiança horizontal, consegui filmar nesse festival em Portugal.

Eu sempre gosto de repetir que cheguei ao IPEC pelas mãos de anjinhos, foram eles que me apresentaram, me presentearam, o Ecocentro-IPEC.

Uma grande amiga havia se inscrito com seu marido para fazer o curso de PDC (Permacultura Design e Consultoria), e levaria sua filha de 3 anos com a babá. Mas a babá de última hora não pôde ir, e eu, que havia acabado de finalizar um trabalho, fui no lugar dela.

E, de repente, me vejo andando pelo IPEC com a filha da minha amiga junto com as outras crianças que estavam no IPEC, foram essas crianças/anjinhos que me apresentaram ao IPEC.

E eis que chego diante de um poster com uma foto que mostra uma casinha no meio de um pasto, a terra totalmente devastada, sem uma árvore, e uma seta vermelha apontando para essa casa e a frase “Você está aqui.” Olhava aquela foto, olhava a minha volta, estava no meio de uma floresta, e pensava; colocaram essa foto no lugar errado. Como que eu posso estar aqui?

IPEC

Mas eu estava.

E quando me dei conta já estava trabalhando de voluntária e fazendo a minha mudança completa, do Rio de Janeiro para o IPEC, e filmando. E fui observando e descobrindo mais, e decidi realizar um documentário para contar a história daquele lugar, de pessoas que tiveram um sonho e decidiram realiza-lo, tiveram o sonho de ocupar um espaço completamente devastado e mostrar que é possível criar vida ali novamente.

É preciso coragem para realizar nossos sonhos. Coragem. Foi a palavra que me veio a mente enquanto estava ali de pé cercada de vida, de árvores, de uma natureza rica e abundante e olhando aquela foto tirada em 1999 de uma casa no meio de uma terra completamente devastada.

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E, ali, naquele momento, lembrei de duas frases:

Uma de Guimarães Rosa:

“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

E a outra de Goethe:

“Coragem contém genialidade, poder e magia. Comece agora.”

E comecei a morar e a filmar o dia a dia no Ecocentro-IPEC. No Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado.

Até outubro de 2011 nunca tinha ouvido falar em Permacultura. E fui vivendo, aprendendo, filmando… filmando, aprendendo, vivendo.

Vivendo os 3 princípios éticos da permacultura: cuidar da terra, cuidar das pessoas, e distribuição justa dos excedentes.

Acredito que as pessoas que pensam de forma parecida vão se encontrando. E acredito que o IPEC seja um desses lugares no mundo onde as pessoas com os mesmos ideais, anseios e desejos podem se encontrar para trocar, pensar junto e, consequentemente, espalhar seu conhecimento para diferentes pessoas, por diferentes lugares. E por isso decidi fazer esse documentário, usando a minha ferramenta de trabalho, que é o cinema, para dividir o que venho vivendo e experienciando nesses últimos anos. E assim aqueles que não puderem vir ao IPEC, terão ao menos uma idéia de uma outra forma de existência possível. E quem sabe após assistirem ao filme tenham vontade de conhecer de perto.

Bem, e caso queiram conhecer de perto… hoje moro no IPEC, mais especificamente na Casa Mãe, sim aquela mesma casa que estava na foto que dizia “você está aqui”.

Eu estou aqui. Morando na Casa Mãe e uma parte dela virou um hostel, Hostel Casa Mãe, muito bonito e aconchegante, com cozinha, biblioteca, redes para relaxar e até mesa de ping-pong tem! Quem quiser aparecer por aqui eu terei o maior prazer em receber.

E continuo fazendo o meu documentário. Ainda preciso fazer umas últimas filmagens, afinal a família que começou aqui no IPEC acampando no meio de um pasto, sem uma árvore, cresceu. Laila, filha de Lucy e Andre, filha da permacultura, e que tinha 6 anos na época, hoje é mãe. Mãe de Ravi, o neto da Permacultura.

E viva as crianças, esses anjinhos que povoam a terra e que todos nós já fomos um dia, e que continuamos tendo dentro da gente.

E que todas as nossas crianças não precisem somente sobreviver no futuro, mas que possam viver, que possam crescer saudáveis, felizes e livres.

Com muito amor sempre,

Roberta.